Aprendendo inglês: convivendo com o bizarro

Você provavelmente já ouviu algum professor de inglês dizer que a estrutura do idioma de Shakespeare é bem mais simples do que a da nossa Flor do Lácio (que, para quem não sabe, é como o nosso querido e parnasianíssimo Olavo Bilac se referia ao nosso vernáculo, o bom e velho Português). Talvez até já tenha ouvido isso de falantes nativos, ou mesmo de estudantes. E todos têm razão. No geral a estrutura do idioma é realmente mais simples. Mas ainda assim, devemos nos lembrar que se trata de um idioma diferente, e como tal as construções são diferentes, com particularidades que simplesmente não têm paralelo em nossa língua materna. Um dos exemplos mais comuns (e o que frita os neurônios de muita gente) é a inversão do verbo auxiliar com o sujeito para fazer perguntas. Isso não tem paralelo no nosso idioma. E não adianta tentar fazer a tradução direta de todas as palavras na frase porque não vai fazer sentido. Por exemplo, na pergunta
Does he like chocolate?
a palavra “does” não tem significado. Aquele “does”, do jeito que está, na frente do sujeito “he” (ele), serve apenas para indicar que lá vem uma pergunta. Para nós, que estamos acostumados a diferenciar uma interrogação de uma afirmação usando só a intonação, isso parece muito estranho. Mas tem lá suas vantagens. Afinal, quantas vezes nos deparamos com uma frase enorme, daquelas que parecem intermináveis e ocupam várias linhas de um mesmo parágrafo, quando não um parágrafo inteiro (muito parecido com esta aqui!) e no final somos pegos totalmente de surpresa por um ponto de interrogação? O verbo auxiliar ajuda a evitar essa pegadinha, porque ele já nos avisa, lá no começo da frase, que se trata de uma pergunta. Você pode achar a ideia meio esquisita, mas deve concordar comigo: tem seu lado prático. E depois que você se acostuma, fica bem tranquilo. Pode acreditar.
Voltando ao nó nos neurônios: o mesmo “do” ou “does” que não tem significado em uma pergunta pode ter significado em uma afirmação (ou em uma pergunta dependendo da construção). Quando pergunto
What do you do?
o primeiro do é um verbo auxiliar que indica pergunta (note que ele está imediatamente antes do sujeito “you”), enquanto que o segundo é o verbo principal, “fazer”. Então, a pergunta é “O que você faz?”. O “do” mudou de função de um jeito que não nos parece muito normal. Mas é a vida. Ninguém disse que seria justo. Precisamos nos acostumar a conviver com algum grau de ambiguidade e aceitar as coisas como são. No começo dói um pouco, mas depois, como tudo na vida, acostuma.
Mas de longe, uma das maiores bizarrices do idioma inglês é a pronúncia. Devo concordar que isso exige bastante prática. Primeiro porque existem sons no inglês que simplesmente não fazem parte do nosso universo fonético. E como se isso não bastasse, a pronúncia e a escrita são, muitas vezes, completamente diferentes, como por exemplo “people” (pronuncia-se pípou) “women” (uêmãn), “know” (nou). E pra isso, o único jeito é praticar. E depois praticar mais. Quando cansar, pratique mais um pouco antes de parar. Não desista e não tenha medo de errar, afinal quem não erra também não acerta. Se possivel, encontre um amigo com quem você possa praticar com frequência, e tente fazer disso im hábito. Apesar de suas bizzarrices, o inglês é um idioma fácil e gostoso de aprender. E, afinal de contas, quem é que não tem lá suas esquisitices?
Aprendendo inglês: convivendo com o bizarro

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