Esverdeando a grama do colega: a negativa necessidade da comparação

Convenhamos, todos temos o celebre costume de observar nosso colega, seja de departamento, seja do andar ou afins, e podemos acabar com a mesma impressão: “eu trabalho muito mais que ele”.

No ambiente profissional, quando olhamos “a grama mais verde do vizinho”, não estamos necessariamente liberando nossa inveja consumista, ou uma auto-imposta tortura emocional. A proposta não é análise psicológica de uma pessoa, mas sua necessidade de – inadvertidamente – rebaixar suas próprias atribuições ou de se auto-enaltecer (o que também não ajudará a se desenvolver na empresa) ao tecer comentários agressivos sobre as funções de um colega. Ou seja, a grama mais verde, aqui, é o trabalho “mais fácil” e, normalmente, acompanhado de uma palpuda remuneração; horários mais flexíveis, chefe mais amigável, entre outros atributos que aquele colega tem, mas outro não. E acabamos nutrindo um sentimento de desmotivação e auto-depreciação que culminarão, indubitavelmente, em nosso desligamento da empresa.

 

Além da crescente negatividade, começa-se a ter uma verdadeira competição de comentários desvirtuados, mirando, exclusivamente, aquela pessoa que – aparentemente – faz absolutamente nada de especial para a empresa. Consequência é a crescente inimizade entre pessoas e, ao cabo de um breve período, equipes – nutridas por aquelas palavras questionáveis – e uma absoluta ruptura emocional entre setores.

Obviamente, empresa é empresa e, no final do dia, pouco se quantifica esse fator nos resultados do faturamento ou
fechamento de mês. É um fator claramente não-contabilizável, mas, se observado com maior lucidez, verificar-se-á que a produtividade seria maior se aquele fosse minimizado ou miscuído.

Problemática exposta, vamos à solução. Dentro de limitações técnicas, uma proposta simples e didática solucionaria esse problema: uma troca de funções temporária através uma visita ao setor.

 

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Coordenador, ou diretor, verificando a existência de sinais desse processo sendo gerado por algum integrante de sua equipe, propõe a sua contra-parte do “colaborador-alvo”, uma visita ao departamento, por uma semana. Nos primeiros dois dias, o “reclamante” observará de perto todas as funções exercidas pelo “colaborador-alvo”, provendo relatórios das atividades e observações minuciosas dos processos e procedimentos que o cargo exige. Isso pode incluir reuniões de departamento ou visitas a clientes, caso isso faça parte dos atributos.

Posteriormente, nos dois próximos dias, o reclamante exercerá as atividades, observado pelo colaborador-alvo, tendo que contribuir para a maior eficácia e resultados do departamento – afinal, ele está lá para aprender e não atrasar as datas de entrega. Novamente, ele relatará a rotina para os coordenadores.

No último dia, ele produzirá um relatório final, com o único objetivo de verificar se sua reclamação estava embasada em fatos ou meramente observação oblíqua.

Essa proposta, obviamente, exige alguns ajustes protocolares, como, por exemplo, carga horária diária do reclamante, verificação de informação sigilosa, entre outros fatores que podem prejudicar a efetividade do colaborador-alvo. Este, por outro lado, não precisará – e não deverá – alterar sua rotina, já que ele não está sendo “avaliado”, mas está demonstrando para um outro colega suas reais funções dentro da empresa.

Ao fim do processo, possivelmente, o reclamante terá sua opinião mudada e, além disso, terá aprendido algumas novas atribuições que lhe serão bem-vindas – afinal, aprender sempre é produtivo. Para a empresa, ficará o ambiente mais equilibrado e atritos entre equipes diminuídos. Se o resultado for o oposto – o reclamante mantém-se firme à ideia de que o colaborador-alvo é realmente “redundante” – é hora dele rever sua posição dentro da empresa, pois é sua posição dentro da empresa que ficou sensível e notadamente instável.

Vale ressaltar que esta proposta é uma simples ferramenta para uma atmosfera mais equilibrada dentro de uma empresa, tendo objetivo muito mais humano do que profissional, que pode, contudo, trazer resultados claros quanto à qualidade do ambiente de trabalho.

Esverdeando a grama do colega: a negativa necessidade da comparação

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