Mídias Sociais influenciam seu humor e bem estar

O uso de mídias sociais se tornou algo tão comum que é difícil pensar em se distanciar dele. Estar logado em alguma rede social não é apenas um hábito, como algo necessário, seja para a sua carreira como para acompanhar notícias da sua família. Porém, há um aspecto sobre o uso desses sites, que é muitas vezes ignorado, o efeito que o Facebook, Instagram, Twitter e similares têm na nossa saúde mental.

Um estudo da Universidade da Pensilvânia conectou a utilização do Facebook, Snapchat e Instagram – redes sociais mais importantes entre os universitários de 18 e 22 anos – com o declínio do bem estar. Efetuado pela psicóloga Melissa G. Hunt, a pesquisa dividiu 143 participantes em dois grupos para precisar humor e bem estar. O primeiro grupo manteve a utilização dessas redes normalmente durante três semanas, já o segundo teve seu tempo limitado a dez minutos de utilização por dia em cada plataforma.

Foto por OBIN WORRALL on Unsplash

Hunt procurou mensurar diversos elementos do temperamento de cada participante, entre eles, Fear Of Missing Out (também conhecido como FOMO, em português, medo de estar perdendo algo), ansiedade, depressão e solidão. O estudo concluiu que reduzir o uso de mídias sociais diminui o sentimento de depressão e solidão, especialmente entre os indivíduos que já expressavam esse comportamento antes de começar o teste.

Gerações diferentes, reações diferentes

A pesquisa, no entanto, não indica se esses dados seriam replicados em outras redes sociais, em diferentes ambientes ou entre outros grupos de idade. Entretanto, ao observar pessoas que sempre tiveram acesso à essas mídias em suas vidas, é possível notar que o problema pode ser mais intenso.

Indivíduos que cresceram entre 1995 e 2012, chamado de iGen ou Geração Z, tiveram suas vidas moldadas pelo uso das redes sociais e celulares, logo a forma que eles gastam seu tempo e vivem experiências é totalmente diferente.

Segundo a pesquisadora Jean M. Twenge, isso traz consequências positivas e negativas. Do lado positivo, a pesquisadora observa que como eles saem menos e passam mais tempo em seus quartos do que em carros ou em festas, eles estão fisicamente mais seguros. Eles sofrem menos acidentes de carro e bebem menos, o que diminui os problemas relacionados ao consumo de álcool.

Foto por Angelo Moleele on Unsplash

No entanto, indivíduos que pertencem à Geração Z estão psicologicamente mais vulneráveis. “As taxas de depressão adolescente e suicídio dispararam desde 2011. Não é um exagero descrever a iGen como estando à beira da pior crise de saúde mental em décadas. […] Muito dessa deterioração pode ser atribuída a seus telefones”, afirma Twenge em artigo ao The Atlantic.

Existe alguma solução?

Hunt, no entanto, não acredita que a solução esteja em simplesmente parar de usar redes sociais, até porque esse é um objetivo irrealista, mas limitar o tempo de uso nesses sites.

Uma pesquisa realizada em parceria pela Nielsen, Pew Research Center, SmartInsights e outras organizações apontou que, em média, as pessoas gastam quatro horas por dia no celular. Cerca de metade deste tempo é gasto em cinco plataformas de mídia social: Facebook, Instagram, Twitter, Snapchat e Youtube.

Foto por NordWood Themes on Unsplash / Infográfico por Nathani Mota de Souza

É evidente que o tempo “perdido” nessas redes não é completamente culpa dos usuários. Segundo o ex-designer da Google, Tristan Harris, as plataformas são construídas para viciar as pessoas que utilizam. “Se eu estou Facebook, na Netflix, ou no Snapchat, eu tenho literalmente milhares de engenheiros cujo o trabalho é ter mais da sua atenção. Eu sou muito bom nisso, e eu não quero que você pare”, afirma Harris em entrevista ao podcast Note to Self.

Ao reconhecer isso, é importante saber como fugir das armadilhas postas por esses sites e tentar focar em coisas que realmente te fazem sentir bem. Hunt acrescenta que como essas ferramentas estão aqui para ficar, compete à nós descobrirmos como usá-los de maneira não prejudicial. “Quando você não está ocupado sendo sugado pelas mídias sociais do clickbait, na verdade você está gastando mais tempo em coisas com maior probabilidade de fazer você se sentir melhor sobre a sua vida”, finaliza.

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