Na internet, quando o assunto é literacia digital: todos nós falhamos

A discussão sobre literacia digital sempre está cercada de pré-concepções, afinal se nos perguntassem quem se comporta melhor no mundo digital, a resposta seria pessoas mais jovens, que “naturalmente” tem mais afinidade com as ferramentas que usamos online. Mas a realidade é um pouco diferente.

Duas jovens sentadas conversando enquanto olham para o computador
Foto por Mimi Thian em Unsplash

De acordo com estudo “State of Critical Thinking” (em tradução livre, Estado do Pensamento Crítico) da consultora MindEdge Learning, as habilidades relacionadas a literacia digital estão bem abaixo do que o esperado, principalmente para os mais jovens.

A consultora, que é especializada em tecnologia educacional, desenvolveu um teste realizado nos Estados Unidos para checar se as pessoas conseguem identificar material suspeito na internet. A prova examinou os participantes a partir de detalhes, como erros de escrita e gramaticais, a presença ou ausência de crédito nas fotos, endereço de site suspeito e indicações de que o conteúdo é promovido.

Levando esses requisitos em conta, apenas 7% das pessoas que fizeram a prova tiraram nota máxima, respondendo oito a nove questões corretamente. Os entrevistados mais velhos tiveram desenvolvimento melhor do que a geração Millennial – aqueles que nasceram entre 1981 e 1996 -, que teve ¾ de seus participantes respondendo menos de cinco questões certas.

Os resultados dessa pesquisa destacam dois aspectos importantes na discussão sobre a utilização da internet hoje em dia: o que entendemos como literacia digital e a importância de aplicar um pensamento crítico a tudo que consumimos na internet.

Além do ler e escrever

A palavra “literacia” é definida como a capacidade de ler e escrever. No entanto, quando a levamos para o contexto digital é necessário que ela assuma outros significados. Assim, “literacia digital” não é apenas ter a habilidade de fazer login na sua conta de e-mail e responder àquele convite para uma reunião ou entrar no Facebook para dar parabéns para um amigo distante.

Literacia digital é compreender e utilizar a informação de várias fontes digitais, e isso inclui, identificar quais informações que você entra em contato no ambiente online são verdadeiras.

E aqui que mora o perigo. Muitos de nós acreditamos que sabemos apontar o que é real ou falso na internet. Além disso, temos orgulho em afirmar que não compartilhamos notícias falsas ou que nunca caímos em bait de hackers, mas o estudo da MindEdge mostra o contrário.

Confiança Extra

Quase 90% dos participantes da pesquisa disseram que se sentiam confiantes em seus resultados de pensamento crítico, e quase 85% desses afirmaram que o pensamento crítico é importante para avaliar a legitimidade do conteúdo online e checar fatos na internet.

No entanto, essa postura super confiante não tem gerado bons resultados. Os participantes estão corretos: ter pensamento crítico é essencial em quase todas as atividades do nosso cotidiano. E no ambiente online, essa habilidade é parte da nossa sobrevivência na internet: é muita informação sendo consumida ao mesmo tempo, muitos sites querendo nossos cliques e muitas decisões sendo feitas em frações de segundo.

É claro, nem tudo que compartilhamos é checado minuciosamente, e muito do que dizemos online é apoiado em nossas suposições de que aquilo deve ser verdadeiro. Logo, fingir que estamos questionando tudo que consumimos na internet só torna a experiência de todos muito pior.

Habilidade que pode (e deve) ser aprendida

Em um artigo para a Harvard Business Review, a escritora Helen Lee Bouygues aponta três dicas para quem quiser aperfeiçoar seu pensamento crítico: questionar suposições, raciocinar a partir da lógica, e diversificar pensamentos.

É possível observar que essa preocupação com o ensino de pensamento crítico vem sendo propagada em outras iniciativas. O Google lançou no último mês um programa de alfabetização midiática para ajudar crianças a identificar notícias falsas e desinformação na internet.

No Brasil, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do ensino básico inclui entre as competências que o aluno deve ter a leitura crítica da informação que recebe na internet e redes sociais.

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