O que vocês querem aprender?

Durante muitos anos sendo professora e estudante de licenciatura, muito se ouve sobre o método construtivista. Como professor, quando ele não funciona, ficamos um pouco frustrados porque sempre queremos que nossas aulas sejam boas e que nossos alunos aprendam o que queremos ensinar. No entanto, estando do outro lado, como aluna, posso dizer que é muito mais frustrante para o aluno quando a técnica é usada de forma incorreta do que para o professor. Usarei um exemplo para explicar;

Em certa aula, um professor fez uma tentativa de usar a técnica perguntando aos seus alunos:

O que vocês querem aprender?

Em seguida, diz que não conhece o que os estudantes pedem, então não será possível ensinar o que foi pedido.

O método construtivista vê o estudante e o professor de uma forma não hierárquica, em que o conhecimento de cada um deverá acrescentar ao do outro. Isso difere da forma conteudista de ensino na qual o professor é detentor do conteúdo e o aluno simplesmente deve “aprender” o conteúdo passado por este primeiro.

Neste primeiro método, o conteúdo a ser passado tem que fazer sentido para o estudante, se adaptar a suas demandas e se basear na vida concreta dessa pessoa, experiências de vida que ela tem. Visto desta forma, a pergunta do professor parece fazer sentido. Parece que ele está aberto às demandas de seus alunos e quer adaptar as suas aulas de acordo com as demandas.

No entanto, esse método não nos autoriza a ensinar coisas que não sabemos. Aí então vemos alguma razão neste professor e conseguimos perceber por que está incorreto o professor a fazer essa pergunta. Adaptar o nosso conteúdo aos nossos aprendizes não quer dizer que já não tenhamos um conhecimento a ser passado de antemão.

Foto por NeONBRAND em Unsplash

Num plano perfeito e idealizado, esse professor teria tempo hábil e abertura da escola para alterar seus planos de aula e realmente atender as demandas dos seus alunos. Assim, ele teria tempo para aprender e poder ensinar os seus alunos, para aprender com eles, sendo de fato um “ensinante” como diria Paulo Freire.

E ainda existe mais um outro fator humano que impede que esse plano idealizado seja concretizado: o próprio professor. O professor que quer utilizar essa técnica tem que entendê-la com profundidade o suficiente para saber que todo tempo que ensina, também está aprendendo com os estudantes. Não adianta um professor da mentalidade conteudista, que se imagina o dono do saber, tentar utilizar essa técnica. A experiência será frustrante para todos, especialmente para seus alunos.

A minha sugestão para esse professor? Use o método conteudista. Seja claro com seus alunos, mostre a eles o que está no plano de ensino e o que, realmente, pode ser alterado de acordo com as demandas deles. Sabendo e correndo o risco de seus alunos pedirem coisas que não serão possíveis e aí tendo que ser firme o suficiente para dizer diversos nãos. Mas pelo menos dessa forma, se criará uma confiança entre alunos e professor e todos estarão mais dispostos a trabalhar juntos.

O que vocês querem aprender?
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