O queijo suíço e o excesso de informação

Todo aluno de propaganda, marketing, administração e similares sabe, de cor e salteado, aqueles famosos quatros Ps que compõe o marketing mix. Observar o mercado, entender a cabeça do consumidor, descobrir o preço que ele está disposto a pagar por seu prduto, quais features ele tem que ter e o que ele tem que ser para que alguém veja algum valor nisso, como fazer isso chegar até o consumidor e como avisá-lo de sua maravilhosa, incrível e imperdível oferta. Ligue djá! Planejar e fazer tudo isso acontecer sempre foi a razão de ser de departamentos de marketing e agências de publicidade. Tudo isso funcionou por  muito tempo, porque em linhas gerais a comunicação era feita para a massa, a mensagem enviada de um para muitos. E enviar a mensagem não era muito fácil – criar, produzir e transmitir eram atividades que demandavam muito dinheiro, infraestrura e recursos humanos.
 Aí veio essa tal de internet e virou tudo de cabeça para baixo. Praticamente qualquer um tem acesso a ferramentas de produção e distribuição de conteúdo. Todos somos youtubers em potencial: com uma câmera na mão, uma ideia na cabeça, e um entendimento muito claro dos desejos do consumidor-telespectador-internauta, qualquer um pode  competir de igual para igual com a novela das oito. Alguns conseguem, a imensa maioria não. Mas o que importa é que todos nos tornamos produtores e difusores de conteúdo, produzindo cada vez mais material para públicos cada vez mais específicos e nichos  cada vez menores. Etão o que vemos é uma proliferação de conteúdo que acaba criando um dilema muito parecido com o famoso paradoxo do queijo suíço.
O queijo suíço é famoso por seus buracos, que são na verdade causados pela liberação de dióxido de carbono das bactérias utilizadas em seu processo de fabricação. Curiosamente, os fabricantes conseguem controlar o tamanho dos buracos através da acidez, temperatura e tempo de maturação. Nos parece lógico pensar que, em dado pedaço de queijo, quanto maior o buraco, menos queijo. Portanto, quanto mais queijo, menos queijo.
Brincadeiras à parte, o dilema do excesso de informações segue o mesmo princípio: quanto mais informação temos à nossa disposição, maior nossa dificuldade para encontrar algo que seja relevante. Daí vem a importância do filtro, aquele mecanismo de busca que vai atrás do conteúdo relevante e entrega, em milésimos de segundos, milhares ou mesmo milhões de resultados. Mas o que é realmente relevante? Como o Google sabe? Em tempos de internet, Big Brother está em nossas casas e nossos bolsos, vigiando todos os nossos hábitos de navegação. Seu filtro preferido sabe de tudo o que você gosta, dos lugares que você frequenta, qual seu poder aquisitivo e possivelmente até seu comportamento de compra. E aqui não falamos apenas dos mecanismos de busca mais tradicionais, mas também das plataformas de streaming, apps, serviços de geolocalização, e principalmente sites de redes sociais.
Vamos a um experimento. No video abaixo, conte com atenção quantas vezes as meninas de branco passam a bola.

Se você assistiu com atenção contando os passes das meninas de branco, é  bem possível que não tenha visto o macaco na primeira vez, ou a mudança de cor da cortina. Mesmo que tenha visto, seu foco deveria estar nos passes das meninas de branco. É exatamente este o papel do filtro em um mundo de excesso de informação.
Apesar de abir brechas para discussões mais ético-morais e filosóficas, esta torrente de informações permite um nível de customização antes impensável. Customiza-se o produto. Customiza-se até o preço, em sites como Amazon, Mercado Livre e Arremate. Customiza-se a entrega e a experiência. Compartilha-se o uso através de Ubers e AirBNBs da vida, mas como sabemos, tudo começa na comunicação. No entanto, muitas empresas ainda tratam mídia social como mídia de massa. Os 4 Ps são tão relevantes hoje quanto em 1964, quando Neil Borden publicou “O conceito de Marekting Mix” (isso mesmo, a ideia não foi do Kotler), porém o atual ambiente exige customização e relevância. Neste cenário, estratégias de marketing de busca e inbound marketing ajudam a influenciar o filtro que seu cliente utiliza para buscar conteúdo. Se é o filtro que influencia a escolha, parece ser este o melhor lugar para iniciar uma estratégia digital.
O queijo suíço e o excesso de informação

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Rolar para o topo
Exibir bot�es
Esconder bot�es